V for Verità

Versus – versão 1

Dezembro 20, 2008 · Deixe um comentário

Abundância
Todos nós podemos ser ricos…

versus

Escassez
… nem todos nós podemos ter muito dinheiro.

Abundância e escassez não são apenas medidas dos recursos que existem para resolver necessidades. São maneiras diferentes de encarar tanto recursos quanto necessidades.

Recursos abundantes excedem as necessidades. Podem até mesmo multiplicar-se com o uso. A maior parte das coisas que distingue a vida da sobrevivência – amor, amizade, confiança, imaginação, criatividade, coragem, aventura, experiência – está disponível em abundância. Quanto mais se participa delas, mais se tornam disponíveis.

Abundância e escassez são manifestações de aproximações opostas à vida. Dependem apenas de nossos valores e suposições.

Recursos escassos existem em quantidade limitada, e é provável que não exista o suficiente para ser distribuído. Uma economia escassa é movida pelas considerações de tais condições. As “leis” da oferta e da demanda, que são impostas por uma insuficiência, real ou percebida, de bens necessários.

Pode até parecer que a escassez é um fato inescapável da vida, mas não é tão simples. Nem toda escassez é imposta pelas circunstâncias: podemos impô-la por conta própria. Em nossa civilização tecnológica e pós-industrial, ferramentas e amenidades que há poucos meses nem se conheciam estão disponíveis aos montes. E ainda assim sentimos que há uma insuficiência de coisas das quais precisamos. Isso não deveria ser uma surpresa, já que nosso sistema econômico e social depende do fato de não haver o suficiente para todos. Qualquer um pode ter uma vida plena, mas nem todos podem ter uma carteira cheia. Nossa sociedade institui a escassez e a privação, ao transformar a vida em uma busca desesperada por status e materiais de riqueza limitados.

É possível possuir o mundo inteiro ao deixá-lo livre. Ao tentar conquistá-lo, perdemos tudo que não está ao nosso alcance. Aqui vai um exemplo: frutas crescem livremente à nossa volta, naturalmente envoltas em uma casca biodegradável e contendo sementes nas quais mais árvores frutíferas crescerão após a fruta ser comida. E há candy bars, pelas quais devemos trocar o nosso esforço, cujas “cascas”, produzidas de plásticos e químicos alheios à natureza, contribuem para a lenta acumulação de lixo que torna as árvores frutíferas cada vez mais raras.

Os exemplos existem em abundância. Pessoas em greve ou envolvidas em protestos por uma causa maior do que si mesmas encaram a revolta e a insubmissão como formas de aventura e oportunidade, enquanto os mantenedores do status quo, da “lei e da ordem”, enxergam apenas capricho e destituição. O apaixonado vê o amor como algo que só aumenta em riqueza e profundidade ao ser dividido livremente, enquanto o esposo possessivo e ciumento vê um prêmio precário obtido pelo sacrifício e pelo trabalho duro, que deve ser colecionado e enjaulado. O pretendente a rock star ou estrela de cinema precisa de milhões de fãs anônimos observando suas ações para validá-las – a própria individualidade é sujeita à escassez em uma sociedade de espectadores – enquanto membros de comunidades sociais e de apoio adquirem auto-confiança e felicidade no limite em que ajudam os outros ao seu redor a fazer o mesmo.

No fim das contas, há o suficiente, de tudo, para todos. Mas também há os que preferem jogar tudo fora a dividir o resto com você.

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