V for Verità

Versus – versão 3

Dezembro 23, 2008 · Deixe um comentário

Diversão
Mire horizontes…

versus

Trabalho
… não destinações.

A diversão é o que resta quando todos os problemas de sobrevivência foram resolvidos e o tempo e a energia permanecem. A diversão não é confinada por exigências externas. O indivíduo estabelece seus próprios objetivos e motivações durante o curso da ação. A diversão surge em uma condição de liberdade – ela é a condição da liberdade. Na diversão, o indivíduo interage com as forças ao seu redor ao invés de reagir a elas. Ele cria o contexto de suas ações, ao invés de deixar-se moldar passivamente pela situação: e é assim que a auto-determinação é possível. É possível ver diversão nos grafites e nas colagens das paredes urbanas, no acampamento rústico de fazendas ocupadas, nas barreiras quebradas por insurgentes, no movimento dos corpos dos amantes.

Os recursos para a diversão estão disponíveis em abundância. Quanto mais alguém se diverte, mais os outros são encorajados e possibilitados de fazer o mesmo. A verdadeira diversão é contagiosa. Ninguém pode ser divertir muito tempo às custas dos outros – porque ser “livre” de tal forma acaba exigindo muito trabalho.

E será que a maioria das coisas consideradas como “diversão” realmente merecem tal título? É divertido quando um funcionário joga golfe com seu patrão? E quando um bando de homens pratica um esporte com a dominação e a subjugação em mente? E quando um jovem chega do trabalho tão exausto que não possui energia para mais nada além de jogar videogames?

As crianças vêm a esse mundo sabendo tudo sobre diversão. Ao menos até que tenham passado alguns anos trancadas em uma sala com a televisão ligada. Nós podemos conquistar de volta essa inocência perdida, para eles e para nós mesmos, encarando tudo que fazemos como um jogo ao invés de um conflito ou uma responsabilidade.

O segredo mais escondido pelo capitalismo é o de que as atividades divertidas também podem prover nossas necessidades básicas. Pense em todos os aposentados que cuidam de jardins e constroem prateleiras. Exceto em extremidades, o trabalho é desnecessário.

O trabalho serve apenas para sobreviver, nada mais. Aparece sempre como uma resposta à necessidade, seja ela comida, abrigo, seguros de vida ou estabelecimento do status social. O trabalho obedece a imperativos. A diversão cria suas próprias regras.

Prazer x Trabalho

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