V for Verità

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Janeiro 8, 2009 · 5 Comentários

Eu gosto de idéias heréticas. Especialmente as que fazem mais sentido quanto mais se pensa sobre elas. Aqui vai uma: vamos abrir as fronteiras mundiais aos imigrantes.

É curioso o fato de que os países são tão abertos para permitir a entrada de bens e dinheiro através de suas fronteiras, mas tentam com todas as forças negar esse mesmo direito às pessoas. Isso não é apenas injusto. É também uma negação dos princípios do “livre-mercado”* sobre os quais muitas das economias mundiais são construídas. Se o livre movimento de capital é tão importante para uma economia global eficiente, então o mesmo deveria se aplicar à livre movimentação de trabalho, certo? Apóstolos do livre-mercado soam racistas e xenófobos ao negar essa lógica.

E há economistas famosos por aí que concordam comigo. Lant Pritchett, por exemplo.

Ele afirma que o crescente endurecimento dos controles de imigração nos países ricos é o novo Apartheid de uma economia mundial globalizada, trancafiando pessoas em países que oferecem condições de campos de concentração. Um trabalhador vietnamita, por exemplo, teria nove vezes o poder de compra se fizesse exatamente o mesmo trabalho no Japão. O trabalho de um queniano valeria sete vezes mais no Reino-Unido, assim como o de um mexicano nos Estados Unidos. Por que não deixá-los entrar?

Alguns poucos, é claro, podem. Porque os países ricos precisam de imigrantes para fazer as coisas que nem os mais pobres de seus próprios países fariam. Como colher uvas na Califórnia e laranjas na Espanha, limpar banheiros na Inglaterra e quartos de hotel na Itália, cuidar de bebês em Washington e satisfazer a libido dos homens de Tel-Aviv a Toronto. Criminalizar milhões de imigrantes fornece os bens necessários enquanto mantém essa classe destituída de quaisquer direitos. Porque se reclamarem podem ser mandados de volta para casa.

O Apartheid na África do Sul era, ao menos, mais honesto.

Economias são feitas de pessoas. A ideia original era as primeiras ajudarem as segundas, não? Centenas de milhões de pessoas em países pobres já dependem do dinheiro enviado por familiares que moram em países ricos. Economias inteiras entrariam em colapso sem essa movimentação, cujo capital entra direto no bolso dos cidadãos, e não em contas de bancos suiços ou em salários de consultores ocidentais. Estender esse tipo de economia ao se abrir as fronteiras é um caminho certo para distribuir a riqueza ao redor do mundo.

O fato de os governos mundiais não o fazerem só demonstra o que realmente pensam sobre a desigualdade social. É uma ótima desculpa para justifica a febre do “crescimentismo”, mas aqueles que já tem mais do que precisam não têm interesse em dividir a sua parte.

*Para um livre-mercado de verdade, veja The Really Really Free Market.

Categorias: Anarquia · Direitos Humanos

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