Quarta-feira da semana passada, uma ciclista morreu atropelada na Avenida Paulista.
O fato é comum. De acordo com a revista CartaCapital, “todos os dias morrem, em média, 4,3 pessoas nas ruas de São Paulo. Motociclistas e ciclistas são as maiores vítimas. Os primeiros, porque trabalham basicamente correndo contra o tempo. Os últimos, porque o traçado urbano não leva em conta a bicicleta. E, também, porque os motoristas não costumam considerá-la um veículo de legítimo uso, embora o Código de Trânsito Brasileiro determina que tenha preferência sobre os automóveis, e considere infração deixar de guardar a distância lateral de 1,5 metro ao passar ou ultrapassar bicicleta”.
O caso dessa ciclista em particular, Márcia Regina de Andrade Prado, chegou até mim através da lista de discussão do CMI (Centro de Mídia Independente), uma organização de jornalistas voluntários e, como o nome diz, independentes. Ou seja, sem compromisso com qualquer tipo de autoridade. Para quem não sabe, é uma organização mundial, mais conhecida internacionalmente como Indymedia. É interessante, por exemplo, buscar notícias sobre o conflito em Gaza através da mídia independente israelense e palestina, e perceber que nem todos os cidadãos de Israel apoiam as atitudes de seu exército.
Mas voltemos aos carros. É hora de explicar a segunda parte do título, “vira-latas”.
Mês passado, um cachorro de rua foi atropelado aqui perto de casa. Animais são ainda mais invisíveis aos motoristas do que os ciclistas. Nesse caso, como na maioria, o motorista nem sequer parou o veículo. Abandonou o animal a seu próprio azar, em frente a uma veterinária. A veterinária, por sua vez, recusou-se a cuidar do cachorro. A menos, é claro, que alguém pagasse por ele.
Pagamos por ele e o deixamos internado. Só que, no fim, o destino dele foi igual ao da Márcia. A única diferença é que não houve uma passeata em seu nome.
Vélo: bicicleta em francês.
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